Friday, 27 November 2009
Recensão do livro: “A Palestinian century in a poet's life”
Recensão do livro: “A Palestinian century in a poet's life”
My Happiness Bears No Relation to Happiness tem como título secundário “Vida de um poeta no século palestiniano. Mas para melhor se entender a biografia do poeta palestinano Taha Muhammad Ali redigida por Adina Hoffman, é quase preferível dizer: “Um século palestiniano na vida de um poeta”. Esta escorregadela sintáctica não pretende desacreditar o trabalho de Hoffman, já que, ao empilhar no topo das empoeiradas pedras da história uma série de lembranças fluidas, a obra de Hoffmann constitui um marco literário. Porque é a primeira biografia de um escritor palestiniano escrita em língua inglesa. Porque oferece uma biografia que evoca a Palestina anterior a 1948.
O elenco de lugares desaparecidos começa com a vila de Saffurriyya, plantada no cimo de uma colina na Galileia. A infância de Ali passada nesse espaço foi difícil mas idílica. O seu pai foi atingido pela poliomielite e tornou-se por isso incapaz de trabalhar, o que levou a família a viver na pobreza. Ali, nascido em 1931, frequentou a escola apenas por 4 anos, antes de começar a trabalhar para o sustento dos pais e família. Na altura em que devia estar a aprender matemática, Ali trabalhava como negociante, vendendo ovos em Haifa.
Por fim, Ali, um empresário inteligente, passou a gerir um quiosque na sua casa de família. Construiu assim um pequeno mas activo negócio, mas de olhos postos na sua noiva, Amira, que lhe fora prometida desde o nascimento, e cujo riso e porte gracioso, escreve Hoffman, “tinham entrado na sua corrente sanguínea tão profundamente que ela parecia quase fazer parte dele.”
A presença de Amira, juntamente com a suave Galileia, amaciou os duros contornos dos primeiros tempos da vida de Ali. A paisagem mais tarde evocada pela sua poesia e recreada no livro de Hoffman, vibra com vida e parece de certo modo diferente, quase mágico, do mundo circundante. Hoffman escreve:
“Os próprios espinhos pareciam ali emanar um odor doce, e apesar de não conseguir saber que perfume pertencia a cada uma das plantas, ou explicar como se apercebia da diferença entre a fragrância de um arbusto de Nazaré e a de um arbusto cujas raízes mergulhavam no solo de Saffuriyya, o rapaz estava convencido que, fiando-se no seu nariz, sabia perfeitamente quando passara a orla [da sua aldeia]…”
Saffuriyya estava situada numa terra fértil que rendia colinas de frutas, incluindo, as romãs mais procurada de toda a Galileia. Saffurriyya era uma “aldeia do Corão, de contos épicos e de heróis de tonalidades damasquinas ou cairotas”. E acima de tudo, Saffurriyya era um fio que prendia Ali e da sua família ao tecido da Palestina.
Mas o pano foi rasgado numa noite de Julho de 1948 quando as forças israelitas bombardearam a aldeia. Ali e a sua familia fugiram para o Libano. Ai, o jovem Ali furtava bens num campo de refugiados até à primavera de 49, quando ele e a sua familia regressaram ao recém baptizado Israel. Depois de passarem furtivamente a fronteira a coberto da noite, estabeleceram-se em Nazaré, a menos de 10 kms dos vestígios da sua aldeia. Ali abriu o quiosque que mais tarde se tranformou numa das duas lojas de recordações que hoje possui.
Apesar da sua carreira como poeta ter começado tarde, a loja de Ali em Nazaré era ponto de encontro de importantes figuras literárias palestinianas, incluindo Michel Haddad. Neste ponto, o livro torna-se, segundo Hoffman “numa espécie de retrato de grupo”. Hoffman explica: “Taha não é o único artista nesta história. Para entender Taha e o seu lugar nas letras palestinianas e árabes, é fundamental ter a consciência do tipo de personalidades com quem foi contactando ao longo dos anos”.
Muito embora o leitor possa perder ocasionalmente Ali de vista em My Happiness, este livro compele-o a procurar a sua poesia, que está disponível traduzida para inglês e compilada numa antologia intitulada: So What: New and Selected Poems 1971-2005 (tradução de Peter Cole, Yahya Hijazi and Gabriel Levin)
This land is a whore
Our land makes love to the sailors
and strips naked before the newcomers ...
there seems to be nothing that would bind it to us,
and I -- if not for the lock of your hair,
auburn as the nectar of carob ...
Your braid
is the only thing
linking me, like a noose, to this whore.
Esta terra é prostituta
Estende a mão aos anos… holding out a hand to the years ...
A nossa terra ama os marinheiros
E despe-se perante os recém-chegados…
Parece não haver nada que a ela nos una
E eu – não fora a madeixa do teu cabelo,
Avermelhada como o néctar da Alfarroba
A tua trança
É o que me liga, como um nó, a esta prostituta.
Neste poema, o cabelo acorrenta o narrador a uma terra que o irá trair e sufocar. Mas em “O lugar ou Espero que não possas digeri-lo” também publicado na antologia, a imagem do cabelo ganha outro sentido, desta vez como algo reconfortante:
E vim então a O Lugar
Onde estão as ovelhas balindo
E as romãs da noite
O cheiro do pão
E o tetraz?
Onde estão as janelas
E a tranquilidade da trança de Amira?
Quer na Antologia poética de Ali, quer na biografia de Hoffman (que o Booklist considera como uma das melhores biografias de 2009), a profunda e complexa relação de Ali com a terra é posta em evidência. Hoffman tem o cuidado de explicar as circunstâncias históricas de onde nasce esta ambivalência. My Happiness Bears No Relation to Happiness deve ser considerada como um complemento fundamental embora não um substituto para a obra de Ali. Do mesmo modo que há uma sintonia entre os poemas de Ali, também a obra de Hoffman convive harmoniosamente com a escrita de Ali, com a sua vida e com o seu tempo.
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Mya Guarnieri é uma jornalista e escritora baseada em Tel-Aviv e que contribui regular para o Jerusalem Post. O seu trabalho também comparece no Outlook india, no The National, no the Forward, Maan News Agency, Common Ground News Service, Zeek, The Khaleej Times, Daily News Egypt e em outras publicações internacionais.
Fonte: The Electronic Intifada, 20 Novembro 2009
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Tuesday, 24 November 2009
Como Israel Ganhou a Batalha dos Colonatos... Outra Vez.
fonte:Palestine Chronicle
Como Israel Ganhou a Batalha dos Colonatos... Outra Vez.
Por Ramzy Baroud
tradução: Ana Sofia Gomes, equipa Todos Por Gaza.
Quando o Ministro dos Negócios Estrangeiros, David Miliband, proferiu algumas palavras sobre a ilegalidade dos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada, muitos quiserem acreditar que Londres estaria a tomar uma dura atitude para com as continuas violações do direito international por parte de Israel. Infelizmente, estavam errados.
O facto é que a declaração de Miliband, feita durante a conferência de imprensa que se seguiu às conversações com o rei da Jordânia, Abdullah II em Amã, foram meramente tácticas, dirigidas de forma a diminuir o impacto da fraca posição assumida por Washington sobre o mesmo assunto,
Isto foi o que Miliband disse: “Os colonatos são ilegais e, do nosso ponto de vista, são um obstáculo ao estabelecimento da paz na Cisjordânia e em Jerusalém Orientar. Os colonatos desafiam o coração de... um Estado palestiniano.”
De seguida acrescentou: “É tão importante para aqueles que se interessam pela segurança e pela justiça social nesta região que as discussões sobre fronteiras e território recomecem de forma séria, porque se se conseguir fazer progressos nestas questões, pode resolver-se o problema dos colonatos.”
Isto é clássico de Miliband. Embora as suas afimações claras e decisivas acerca da ilegalidade dos colonatos e o facto de estes constituirem um obsctáculo à paz sejam bem-vindas, não é possível decifrar declarações de políticos sobre detalhes; para serem verdadeiramente apreciados, têm de ser compreendidos como um todo.
O perigo reside na afirmação seguinte na qual ele mudou propositadamente a ordem da solução proposta para a crise do Médio Oriente para centrá-la “na retoma das discussões sobre fronteiras e território de forma séria”, o que significa negociações sem condições porque “o progresso” nessa vertente “iria resolver o problema dos colonatos”.
Mas não é precisamente este o tipo de diálogo que Israel deseja tomar parte: conversações de paz sem condicionantes, sem prazos, sem um fim determinado, enquanto persiste na construção de colonatos ilegais constituindo uma violação flagrante do direito internacional? Mais, não foi isto que os palestinianos, todos os palestinianos, rejeitaram veementemente?
A liderança palestiniana percebe que negociações incondicionais trará aos palestinianos, a parte mais franca em qualquer negociação, nada mais do que humilhação, enquanto que a parte forte determinará a solução, qualquer solução, que achar adequada aos seus interesses.
Tendo em conta que Israel não está sob uma pressão séria, apenas sob uns discursos verbais sobre o processo de paz proferidos ocasionalmente or Washington e Londres, o governo de direita de Benjamin Netanyahu não tem razão para parar ou até abrandar os seus projectos de colonatos ilegais e a consequente limpeza étnica dos palestinianos.
Miliband é um político esperto. Não obstante as suas palavras federem a constradições, estão dispostas de tal maneira que dão a impressão que está a construir-se um mudança significativa nas políticas.
As declarações supostamente fortes de Miliband acerca dos colonatos surgiram numa altura em que a política da administração Obama, uma pequena tentativa de se apresentar como a antítese o legado odiado de George Bush, está a desfazer-se.
Em Maio, no seguimento do primeiro encontro entre Obama e Netanyahu, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, quis não deixar dúvidas sobre as novas políticas americanas acerca dos colonatos. Os EUA “querem que os colonatos parem – não alguns colonatos, nem postos avançados, nem excpeções de crescimento natural.”
Isto soa muito bem, melhor que as afirmações de Miliband. Mas desde então, a administração Obama obviamente descobriu os limites da “audácia da esperança”: um lóbi israelita forte, unido; um gorveno de direita israelita decisivo; países árabes e muçulmanos fragmentados e tudo o resto.
Portanto, não foi uma surpresa ver a senhora Clinton, durante a sua recente visita ao Médio Oriente, retroceder em todas as promessas que o seu governo fez. Segundo o Times (de 1 de Novembro), ela “alegou que a construção de colonatos nunca foi um pre-condição para retomar as conversações.”
Pior, não apenas falhou em convencer Netanyahu da posição dos EUA, que mais ou menos consitente com o direito internacional, como elogiou-o por falhar na concretização daquilo que foi considerado como uma forte exigência norte-americana.
A mudança aconteceu durante a sua visita de um dia a Jerusalém. “Aquilo que o primeiro-ministro (de Israel) tem oferecido em termos de restrições às políticas dos colonatos... não tem precedentes,” disse ela sobre a promessa de Netanyahu para abrandar a expansão de colonatos na Cisjordânia.
Há mais de 500 mil colonos judeus na Cisjordânia e Jerusalém ocupados que vivem em vários colonatos que são considerados ilegais de acordo com a IV Convenção de Genebra e numerosas resoluções das Nações Unidas
Para acrescentar o insulto, a senhora Clinton continuou, em casa paragem, a exigir aos árabes e aos muçulmanos que estendam a sua mão e Israel. Que é que este fez para merecer uma normalização com os árabes e muçulmanos, mercados abertos e o estabelecimento de relações diplomáticas? Por que é que Israel deve ser compensado pelos seus massacres em Gaza, pela sua ocupação militar da Cisjordânia e Jerusalém Oriental, pelos contínuos ataques à Mesquita al-Aqsa e outras?
Simultaneamente, a Autoridade Palestiniana estará talvez a aperceber o erro que cometeu ao confiar que a determinação da administração Obama prevaleceria sobre a obstinação de Israel.
O alto representante da AP, Nablil Abu Rudeinah, afirmou que “as negociações estão em estado paralítico,” cupando tanto “a intransigência israelita como o retrocesso americano.”
“Não há esperança para futuras negociações,” Abu Rudienah acrescentou.
Contudo, as palavras de chefe das negociações palestiniano, Saeb Erekat, na conferência de imprensa em Ramallah no dia 4 de Novembro, foram ainda mais pessimistas. Talvez seja a altura de o presidente palestiniano Mahmoud Abbas “dizer ao seu povo a verdade que devido à continuação da expansão dos colonatos, a solução de dois Estados já não é uma opção,” disse ele.
Ele disse o que muitos não querem ouvir, incluindo o próprio Miliband que insiste em manter viva uma 'solução' expirada enque nada faz para a tornar realidade.
“É importante que não percamos de vista a importância da solução de dois Estados para todos os povos da região. Penso que as alternativas são obscuras e mal-vindas por todas as partes,” declarou Miliband.
Todavia, ele falhou em demonstrar-nos como é que a sua solução 'brilhante e bem-vinda' vai ser concretizada à medida que Israel continua a capturar Jerusalém e a Cisjordânia centímetro por centímetro, à vista dos media internacionais e com o conhecimento e com o acordo tácito dos políticos em regredir, incluindo a senhora Clinton e ele próprio.
Como Israel Ganhou a Batalha dos Colonatos... Outra Vez.
Por Ramzy Baroud
tradução: Ana Sofia Gomes, equipa Todos Por Gaza.
Quando o Ministro dos Negócios Estrangeiros, David Miliband, proferiu algumas palavras sobre a ilegalidade dos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada, muitos quiserem acreditar que Londres estaria a tomar uma dura atitude para com as continuas violações do direito international por parte de Israel. Infelizmente, estavam errados.
O facto é que a declaração de Miliband, feita durante a conferência de imprensa que se seguiu às conversações com o rei da Jordânia, Abdullah II em Amã, foram meramente tácticas, dirigidas de forma a diminuir o impacto da fraca posição assumida por Washington sobre o mesmo assunto,
Isto foi o que Miliband disse: “Os colonatos são ilegais e, do nosso ponto de vista, são um obstáculo ao estabelecimento da paz na Cisjordânia e em Jerusalém Orientar. Os colonatos desafiam o coração de... um Estado palestiniano.”
De seguida acrescentou: “É tão importante para aqueles que se interessam pela segurança e pela justiça social nesta região que as discussões sobre fronteiras e território recomecem de forma séria, porque se se conseguir fazer progressos nestas questões, pode resolver-se o problema dos colonatos.”
Isto é clássico de Miliband. Embora as suas afimações claras e decisivas acerca da ilegalidade dos colonatos e o facto de estes constituirem um obsctáculo à paz sejam bem-vindas, não é possível decifrar declarações de políticos sobre detalhes; para serem verdadeiramente apreciados, têm de ser compreendidos como um todo.
O perigo reside na afirmação seguinte na qual ele mudou propositadamente a ordem da solução proposta para a crise do Médio Oriente para centrá-la “na retoma das discussões sobre fronteiras e território de forma séria”, o que significa negociações sem condições porque “o progresso” nessa vertente “iria resolver o problema dos colonatos”.
Mas não é precisamente este o tipo de diálogo que Israel deseja tomar parte: conversações de paz sem condicionantes, sem prazos, sem um fim determinado, enquanto persiste na construção de colonatos ilegais constituindo uma violação flagrante do direito internacional? Mais, não foi isto que os palestinianos, todos os palestinianos, rejeitaram veementemente?
A liderança palestiniana percebe que negociações incondicionais trará aos palestinianos, a parte mais franca em qualquer negociação, nada mais do que humilhação, enquanto que a parte forte determinará a solução, qualquer solução, que achar adequada aos seus interesses.
Tendo em conta que Israel não está sob uma pressão séria, apenas sob uns discursos verbais sobre o processo de paz proferidos ocasionalmente or Washington e Londres, o governo de direita de Benjamin Netanyahu não tem razão para parar ou até abrandar os seus projectos de colonatos ilegais e a consequente limpeza étnica dos palestinianos.
Miliband é um político esperto. Não obstante as suas palavras federem a constradições, estão dispostas de tal maneira que dão a impressão que está a construir-se um mudança significativa nas políticas.
As declarações supostamente fortes de Miliband acerca dos colonatos surgiram numa altura em que a política da administração Obama, uma pequena tentativa de se apresentar como a antítese o legado odiado de George Bush, está a desfazer-se.
Em Maio, no seguimento do primeiro encontro entre Obama e Netanyahu, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, quis não deixar dúvidas sobre as novas políticas americanas acerca dos colonatos. Os EUA “querem que os colonatos parem – não alguns colonatos, nem postos avançados, nem excpeções de crescimento natural.”
Isto soa muito bem, melhor que as afirmações de Miliband. Mas desde então, a administração Obama obviamente descobriu os limites da “audácia da esperança”: um lóbi israelita forte, unido; um gorveno de direita israelita decisivo; países árabes e muçulmanos fragmentados e tudo o resto.
Portanto, não foi uma surpresa ver a senhora Clinton, durante a sua recente visita ao Médio Oriente, retroceder em todas as promessas que o seu governo fez. Segundo o Times (de 1 de Novembro), ela “alegou que a construção de colonatos nunca foi um pre-condição para retomar as conversações.”
Pior, não apenas falhou em convencer Netanyahu da posição dos EUA, que mais ou menos consitente com o direito internacional, como elogiou-o por falhar na concretização daquilo que foi considerado como uma forte exigência norte-americana.
A mudança aconteceu durante a sua visita de um dia a Jerusalém. “Aquilo que o primeiro-ministro (de Israel) tem oferecido em termos de restrições às políticas dos colonatos... não tem precedentes,” disse ela sobre a promessa de Netanyahu para abrandar a expansão de colonatos na Cisjordânia.
Há mais de 500 mil colonos judeus na Cisjordânia e Jerusalém ocupados que vivem em vários colonatos que são considerados ilegais de acordo com a IV Convenção de Genebra e numerosas resoluções das Nações Unidas
Para acrescentar o insulto, a senhora Clinton continuou, em casa paragem, a exigir aos árabes e aos muçulmanos que estendam a sua mão e Israel. Que é que este fez para merecer uma normalização com os árabes e muçulmanos, mercados abertos e o estabelecimento de relações diplomáticas? Por que é que Israel deve ser compensado pelos seus massacres em Gaza, pela sua ocupação militar da Cisjordânia e Jerusalém Oriental, pelos contínuos ataques à Mesquita al-Aqsa e outras?
Simultaneamente, a Autoridade Palestiniana estará talvez a aperceber o erro que cometeu ao confiar que a determinação da administração Obama prevaleceria sobre a obstinação de Israel.
O alto representante da AP, Nablil Abu Rudeinah, afirmou que “as negociações estão em estado paralítico,” cupando tanto “a intransigência israelita como o retrocesso americano.”
“Não há esperança para futuras negociações,” Abu Rudienah acrescentou.
Contudo, as palavras de chefe das negociações palestiniano, Saeb Erekat, na conferência de imprensa em Ramallah no dia 4 de Novembro, foram ainda mais pessimistas. Talvez seja a altura de o presidente palestiniano Mahmoud Abbas “dizer ao seu povo a verdade que devido à continuação da expansão dos colonatos, a solução de dois Estados já não é uma opção,” disse ele.
Ele disse o que muitos não querem ouvir, incluindo o próprio Miliband que insiste em manter viva uma 'solução' expirada enque nada faz para a tornar realidade.
“É importante que não percamos de vista a importância da solução de dois Estados para todos os povos da região. Penso que as alternativas são obscuras e mal-vindas por todas as partes,” declarou Miliband.
Todavia, ele falhou em demonstrar-nos como é que a sua solução 'brilhante e bem-vinda' vai ser concretizada à medida que Israel continua a capturar Jerusalém e a Cisjordânia centímetro por centímetro, à vista dos media internacionais e com o conhecimento e com o acordo tácito dos políticos em regredir, incluindo a senhora Clinton e ele próprio.
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colonatos,
Israel,
Ramzi Baroud,
tradução TPG
Sunday, 22 November 2009
O Ocaso do Estado de Israel
fonte:Al Jazeera (English)
O Ocaso do Estado de Israel
Por As'ad AbuKhalil
tradução: Ana Cecilia Fonseca, equipa TPG,
Actualmente, Israel enfrenta um conjunto particular de circunstâncias passados 60 anos de ter sido fundada no seio de uma nação já existente.
Foram acumulados um enorme arsenal de armas de destruição em massa e um aparato militar impressionante (principalmente através de apoios externos, primeiro da França e depois dos E.U.A). Também teve sucesso contra os regimes árabes nas guerras sucessivas.
No entanto, Israel ainda enfrenta muitos desafios a nível político e até a nível existencial. Um estado que foi arrogantemente declarado como uma “luz para as nações”, tornou-se um símbolo de agressão, de crimes de guerra e de discriminação ética e religiosa.
Um estado que procurou o apoio dos E.U.A. para manter a sua superioridade militar em relação aos regimes árabes, foi humilhado no campo de batalha no sul do Líbano, em 2006, por centenas de jovens armados.
Um estado que se gabou durante décadas sobre as suas competências e superioridade derivados dos seus serviços de inteligência, assistiu a uma tentativa de assassinato de Khaled Mishaal, o líder do Hamas, e um sequestro de um agricultor libanês, em 2006, porque o seu nome era Hassan Nasrallah (e levou a que especialistas israelitas demorassem alguns dias até descobrir que era o Hassan Nasrallah errado).
Um estado que assinou tratados de paz com vários regimes árabes e que mantém relações secretas com muitos outros, continua a ser odiado pelo público árabe e muçulmano.
Parece que, quanto mais se fortalece Israel mais esta se torna impotente para influenciar o seu estatuto na região.
Mudando a opinião pública
O relatório Goldstone só tem acrescentado problemas a Israel.
Inicialmente, Israel contou com os E.U.A. para encobrir os seus crimes de guerra, e os E.U.A. sempre avançaram para salvar Israel de qualquer condenação no domínio da ONU ou do congresso dos E.U.A.
Os E.U.A. usaram o seu poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, muitas vezes por causa de Israel.
Há a presunção, por parte de Israel, principalmente desde a Guerra Fria, do eterno apoio do seu aliado norte-americano para continuar a escapar à perseguição internacional decorrente das acusações de crimes de guerra que é alvo, especialmente no seguimento da filosofia do Tribunal Penal Internacional (TPI).
No entanto, Israel tem a noção da evolução/mudança da opinião pública em todo a mundo a seu respeito. Até o Governo turco (um aliado-chave durante décadas) sentiu necessidade de se distanciar, devido, maioritariamente, a pressões públicas.
A opinião pública nos países europeus mudou a favor dos palestinianos, mesmo nos países – como a Alemanha, França, Holanda, Suécia e Dinamarca – onde o apoio fanático a Israel tem sido a política governamental durante décadas.
Os votos anuais em Israel exercidos na Assembleia Geral das Nações Unidas são bastante indiciadores. Ano após ano, Israel encontra-se num pequeno grupo que aglutina os E.U.A., as Ilhas Marshall e a Micronesia. O resto do mundo encontra-se no lado oposto, apesar da abstenção por parte de alguns aliados europeus dos E.U.A. devido ao receio de represálias.
Um erro de cálculo
Quando Israel procurou o auxílio dos E.U.A., a administração de Barack Obama, o presidente dos E.U.A., pensou que assunto seria simples.
Mahmoud Abbas, o Presidente palestiniano, não pode recusar nenhum pedido dirigido pelos E.U.A., por mais que a oferta seja humilhante. A exemplo disso, Abbas sucumbiu às pressões americanas e pediu ao seu embaixador em Genebra que concordasse com o arquivamento da discussão sobre o relatório Goldstone no Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas.
Os E.U.A. (e, ironicamente, o regime de Abbas) erraram o cálculo. Não se aperceberam de que existem limites para o que a circunscrição da Fatah poderia aceitar. Mas, já era tarde para reverter o curso das coisas: o governo israelita teve de optar entre a permissão entre a existência da discussão ou a perda da credibilidade – ou o que resta dela – do regime de Oslo em Ramallah.
E Israel enfrenta outros dilemas neste campo. Pode insistir que a natureza do relatório é tendenciosa, mas de momento não pode acusar o seu autor de anti-semita. Ou de acusar que o mesmo relatória manifesta simpatia pelo islão ou pelo fundamentalismo islâmico. O juiz, assim como a sua filha, informaram os media israelitas, é um sionista que se preocupa com Israel, mas as provas de crimes de guerra eram avassaladoras.
O governo israelita não se pode restringir aos clichés propagandísticos que foram praticados durante décadas com desrespeito pelos regulamentos e lei internacionais.
Desta vez, os E.U.A. não poderão salvar Israel porque muitos países assistiram, em primeira mão, a cenas de um bruto assalto a Gaza e à sua população civil.
Novo enquadramento moral:
Israel também sabe que está a emergir um novo enquadramento moral, um enquadramento que gerou o TPI, tão fraco como ainda é.
A capacidade de Israel de encetar guerras e invasões sem qualquer consideração pela lei internacional ou simples moralidade, irá ser restringida com o decorrer do tempo, mesmo que o apoio os EUA se mantenha constante.
A UE avançou a possibilidade de intervenção internacional em nome de uma moralidade internacional em casos em que se sucedam crimes de guerra, em particular se ocorrerem de forma padronizada durante um certo período de tempo.
É possível que a brutalidade dos ataques Israelitas ao Líbano em 2006 e em Gaza em 2008, poderão ser mais difíceis de repetir no futuro, e que irá apenas aprofundar o predicado de Israel - um Estado que tem operado com base na premissa de que apenas com força bruta se podem resolver todos os seus problemas.
Israel reivindica (tal como os EUA) que nenhuma organização internacional tem o direito de investigar, acusar ou julgar a sua conduta bélica porque é uma "democracia".
Esse argumento parece fraco ao momento, não só porque o racismo do Estado Israelita (manifestado a tantos níveis do governo e do discurso oficial) se tornou mais conhecido, mas também porque a conduta bélica Israelita é indistinta das praticadas pelos regimes mais brutais. Israel também não possui um passado de investigações internas credíveis sobre o comportamento das suas forças armadas.
Dos campos de batalha para os tribunais
É improvável que a derrota do projecto sionista se venha a suceder da forma que os Árabes desejam há décadas. No entanto, é possível que - especialmente se os EUA perderam a supremacia internacional - Israel poderá ser forçada a reconhecer as aspirações políticas Palestinianas fundamentais, e até o direito a voltar, eventualmente, por ordem da comunidade internacional.
As opções Israelitas, além de violentas invasões e bombardeamentos, são deveras limitadas.
A ironia do Estado de Israel é que a sua influência não cresceu à medida da sua capacidade militar e o seu poderio militar nem sequer conseguiu fazer um "risco" na popular rejeição de Israel, como questão de princípio, na região.
Claramente, os Árabes - a nível popular senão de regime - não foram levados a aceitar os ditos Israelistas e a criação dos "factos no terreno".
É possível que a próxima fase do conflito Israelo-Árabe se possa transferir do campo de batalha para organizações e tribunais internacionais. Em tal cenário, a superioridade militar Israelita é deveras obsoleta.
As'ad AbuKhalil é um professor de ciências políticas na Universidade Estadual da Califórnia, Stanislau, e autor do blog Angry Arab.
A Al Jazeera não se responsabiliza pelo conteúdo de sítios externos.
As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não reflectem a linha editorial da Al Jazeera.
O Ocaso do Estado de Israel
Por As'ad AbuKhalil
tradução: Ana Cecilia Fonseca, equipa TPG,
Actualmente, Israel enfrenta um conjunto particular de circunstâncias passados 60 anos de ter sido fundada no seio de uma nação já existente.
Foram acumulados um enorme arsenal de armas de destruição em massa e um aparato militar impressionante (principalmente através de apoios externos, primeiro da França e depois dos E.U.A). Também teve sucesso contra os regimes árabes nas guerras sucessivas.
No entanto, Israel ainda enfrenta muitos desafios a nível político e até a nível existencial. Um estado que foi arrogantemente declarado como uma “luz para as nações”, tornou-se um símbolo de agressão, de crimes de guerra e de discriminação ética e religiosa.
Um estado que procurou o apoio dos E.U.A. para manter a sua superioridade militar em relação aos regimes árabes, foi humilhado no campo de batalha no sul do Líbano, em 2006, por centenas de jovens armados.
Um estado que se gabou durante décadas sobre as suas competências e superioridade derivados dos seus serviços de inteligência, assistiu a uma tentativa de assassinato de Khaled Mishaal, o líder do Hamas, e um sequestro de um agricultor libanês, em 2006, porque o seu nome era Hassan Nasrallah (e levou a que especialistas israelitas demorassem alguns dias até descobrir que era o Hassan Nasrallah errado).
Um estado que assinou tratados de paz com vários regimes árabes e que mantém relações secretas com muitos outros, continua a ser odiado pelo público árabe e muçulmano.
Parece que, quanto mais se fortalece Israel mais esta se torna impotente para influenciar o seu estatuto na região.
Mudando a opinião pública
O relatório Goldstone só tem acrescentado problemas a Israel.
Inicialmente, Israel contou com os E.U.A. para encobrir os seus crimes de guerra, e os E.U.A. sempre avançaram para salvar Israel de qualquer condenação no domínio da ONU ou do congresso dos E.U.A.
Os E.U.A. usaram o seu poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, muitas vezes por causa de Israel.
Há a presunção, por parte de Israel, principalmente desde a Guerra Fria, do eterno apoio do seu aliado norte-americano para continuar a escapar à perseguição internacional decorrente das acusações de crimes de guerra que é alvo, especialmente no seguimento da filosofia do Tribunal Penal Internacional (TPI).
No entanto, Israel tem a noção da evolução/mudança da opinião pública em todo a mundo a seu respeito. Até o Governo turco (um aliado-chave durante décadas) sentiu necessidade de se distanciar, devido, maioritariamente, a pressões públicas.
A opinião pública nos países europeus mudou a favor dos palestinianos, mesmo nos países – como a Alemanha, França, Holanda, Suécia e Dinamarca – onde o apoio fanático a Israel tem sido a política governamental durante décadas.
Os votos anuais em Israel exercidos na Assembleia Geral das Nações Unidas são bastante indiciadores. Ano após ano, Israel encontra-se num pequeno grupo que aglutina os E.U.A., as Ilhas Marshall e a Micronesia. O resto do mundo encontra-se no lado oposto, apesar da abstenção por parte de alguns aliados europeus dos E.U.A. devido ao receio de represálias.
Um erro de cálculo
Quando Israel procurou o auxílio dos E.U.A., a administração de Barack Obama, o presidente dos E.U.A., pensou que assunto seria simples.
Mahmoud Abbas, o Presidente palestiniano, não pode recusar nenhum pedido dirigido pelos E.U.A., por mais que a oferta seja humilhante. A exemplo disso, Abbas sucumbiu às pressões americanas e pediu ao seu embaixador em Genebra que concordasse com o arquivamento da discussão sobre o relatório Goldstone no Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas.
Os E.U.A. (e, ironicamente, o regime de Abbas) erraram o cálculo. Não se aperceberam de que existem limites para o que a circunscrição da Fatah poderia aceitar. Mas, já era tarde para reverter o curso das coisas: o governo israelita teve de optar entre a permissão entre a existência da discussão ou a perda da credibilidade – ou o que resta dela – do regime de Oslo em Ramallah.
E Israel enfrenta outros dilemas neste campo. Pode insistir que a natureza do relatório é tendenciosa, mas de momento não pode acusar o seu autor de anti-semita. Ou de acusar que o mesmo relatória manifesta simpatia pelo islão ou pelo fundamentalismo islâmico. O juiz, assim como a sua filha, informaram os media israelitas, é um sionista que se preocupa com Israel, mas as provas de crimes de guerra eram avassaladoras.
O governo israelita não se pode restringir aos clichés propagandísticos que foram praticados durante décadas com desrespeito pelos regulamentos e lei internacionais.
Desta vez, os E.U.A. não poderão salvar Israel porque muitos países assistiram, em primeira mão, a cenas de um bruto assalto a Gaza e à sua população civil.
Novo enquadramento moral:
Israel também sabe que está a emergir um novo enquadramento moral, um enquadramento que gerou o TPI, tão fraco como ainda é.
A capacidade de Israel de encetar guerras e invasões sem qualquer consideração pela lei internacional ou simples moralidade, irá ser restringida com o decorrer do tempo, mesmo que o apoio os EUA se mantenha constante.
A UE avançou a possibilidade de intervenção internacional em nome de uma moralidade internacional em casos em que se sucedam crimes de guerra, em particular se ocorrerem de forma padronizada durante um certo período de tempo.
É possível que a brutalidade dos ataques Israelitas ao Líbano em 2006 e em Gaza em 2008, poderão ser mais difíceis de repetir no futuro, e que irá apenas aprofundar o predicado de Israel - um Estado que tem operado com base na premissa de que apenas com força bruta se podem resolver todos os seus problemas.
Israel reivindica (tal como os EUA) que nenhuma organização internacional tem o direito de investigar, acusar ou julgar a sua conduta bélica porque é uma "democracia".
Esse argumento parece fraco ao momento, não só porque o racismo do Estado Israelita (manifestado a tantos níveis do governo e do discurso oficial) se tornou mais conhecido, mas também porque a conduta bélica Israelita é indistinta das praticadas pelos regimes mais brutais. Israel também não possui um passado de investigações internas credíveis sobre o comportamento das suas forças armadas.
Dos campos de batalha para os tribunais
É improvável que a derrota do projecto sionista se venha a suceder da forma que os Árabes desejam há décadas. No entanto, é possível que - especialmente se os EUA perderam a supremacia internacional - Israel poderá ser forçada a reconhecer as aspirações políticas Palestinianas fundamentais, e até o direito a voltar, eventualmente, por ordem da comunidade internacional.
As opções Israelitas, além de violentas invasões e bombardeamentos, são deveras limitadas.
A ironia do Estado de Israel é que a sua influência não cresceu à medida da sua capacidade militar e o seu poderio militar nem sequer conseguiu fazer um "risco" na popular rejeição de Israel, como questão de princípio, na região.
Claramente, os Árabes - a nível popular senão de regime - não foram levados a aceitar os ditos Israelistas e a criação dos "factos no terreno".
É possível que a próxima fase do conflito Israelo-Árabe se possa transferir do campo de batalha para organizações e tribunais internacionais. Em tal cenário, a superioridade militar Israelita é deveras obsoleta.
As'ad AbuKhalil é um professor de ciências políticas na Universidade Estadual da Califórnia, Stanislau, e autor do blog Angry Arab.
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As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não reflectem a linha editorial da Al Jazeera.
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Saturday, 21 November 2009
A Paz de Obama
fonte:Electronic Intifada
A Paz de Obama
por Joseph Massad
tradução: equipa Todos Por Gaza
Pelas suas guerras contínuas contra os paquistaneses, afegãos e iraquianos, pelo apoio dado ao derrube da democracia nas Honduras, pela a sua cumplicidade com as ditaduras do mundo árabe e muçulmano (que o seu governo financia, arma e treina em novos métodos de tortura), o seu planeamento para uma possível invasão do Irão e pelo seu apoio entusiástico à colónia racista israelita (e às suas guerras e ocupações coloniais contra os palestinianos), o presidente dos Estados Unidos Barack Obama recebeu o Prémio Nobel da "Paz". Tal facto não constitui surpresa alguma, já que Obama faz parte de uma longa lista de destinatários deste simulacro de prémio, reconhecidos pelas suas actividades similarmente "pacíficas". Esta lista inclui terroristas como Menachem Begin, criminosos de guerra como Henry Kissinger, generais da limpeza étnica-colonial como Yitzhak Rabin, ditadores como Anwar Sadat, políticos corruptos, como Yasser Arafat, e presidentes imperialiastas, como Jimmy Carter. A concessão feita a este homem ambicioso cheio de sede de poder é pois um tipo de reconhecimento normal para o Comité do Nobel.
A mais recente forma de Obama procurar a paz foi forçar a corrupta Autoridade Palestiniana a descartar o relatório Goldstone, relatório esse que detalhava os crimes de guerra cometidos por Israel na guerra assassina contra os civis palestinianos na Faixa de Gaza há dez meses. Na verdade, o primeiro presidente negro americano discursando do púlpito da ONU apenas exortou os palestinianos, os países árabes e os muçulmanos a reconhecerem o direito de Israel a ser um "Estado judeu racista.". É impossivel não pensar na reacção dos americanos se os lideres árabes e palestinianos exigissem a Obama e à comunidade Afro-americana o reconhecimento do direito dos E.U. serem um estado branco.
Este é o mesmo Obama, cuja arrogância é de tal ordem, que, quando pronunciou o seu infame discurso no Cairo vários meses atrás, não mencionou o sofrimento das dezenas de milhares de civis árabes mortos nas seis longas guerras e massacres contra eles levantadas por Israel; nem mostrou qualquer tipo de solidariedade com os milhões de refugiados árabes (incluindo um milhão de egípcios durante a „Guerra de Atrito“ por causa dos atentados bárbaros de Israel). Em vez disso, Obama escolheu dar aos árabes uma lição de história judaica europeia e intimou-os a apreciar o Holocausto cometido por cristãos europeus contra os judeus europeus e não a permanente Nakba cometida pelos colonos judeus europeus contra os árabes, proibindo ainda os palestinianos e os outros árabes de tentar destruir as estruturas racistas do estado de Israel ou de tentar acabar com o seu governação racista. Na verdade, Obama ameaçou os árabes que qualquer tentativa de destruir os alicerces racistas em que o Estado judeu assenta seria vista como algo equivalente a um holocausto. Isto leva a pensar se acabar com a segregação nos EUA ou por fim ao apartheid na África do Sul seria de algum modo equivalente a levar a cabo o extermínio dos brancos! Este também é o mesmo Obama que, com intenção de afastar de si as acusações de ser muçulmano, nos disse disse durante a sua campanha eleitoral, que não só era cristão mas também rezava a Jesus todas as noites e que o sangue de Jesus Cristo o redimirá.
Mas de maneira geral, os americanos dizem que a eleição de Obama, mesmo que esta não garanta qualquer mudança na política externa e imperialista dos EUA, foi a melhor coisa que aconteceu para a maioria dos americanos, ou pelo menos para os americanos brancos liberais e todos os americanos de origem africana. Esta conclusão é um grande engano. Na minha opinião. Obama é a pior coisa que aconteceu nos últimos anos aos americanos de origem africana, os quais continuam a enfrentar discriminação pessoal diariamente e a todos os níveis: institucionais, estruturais, económicos, culturais, sociais. O racismo que molda a política interna dos EUA e as causas da pobreza dos americanos de origem africana tem fortes ligacões com o racismo que condiciona as políticas imperiais dos EUA que empobrecem egípcios, palestinianos, hondurenhos, iraquianos e afegãos.
A eleição de Obama foi certamente a melhor coisa para os americanos brancos liberais. A sua consciência pode agora ser apaziguada fingindo que eles são racistas nem a América o é, uma vez que se elegeu um presidente negro. O facto de que os americanos de origem africana serem hoje menos escolarizados e mais pobres do que eram na década de 1960 é indiferente a esta lógica de auto-congratulação. O mesmo se passa com o facto de que há mais homens afro-americanos hoje (em números absolutos e relativos) nas prisões racistas americanas do que havia na África do Sul na altura do apartheid. Quanto às políticas de educação e ao crime racial, estas não são mais do que uma continuação das políticas dos seus antecessores brancos, procurando a corporatização das escolas e das prisões e a liberalização dos sindicatos de professores, no interesse da classe empresarial branca.
Mas Obama é o culminar das ideias brancas liberais entretecidas no início dos anos 70, quando o idioma do racismo foi transformado, como um efeito da cooptação do movimento pelos Direitos Civis, numa linguagem culturalista. Segundo os liberais brancos os negros não eram racialmente inferiores, o"seu" problema foi diagnosticado como sendo de ordem "cultural". O sentimento era que os negros americanos deveriam simplesmente falar e agir como sendo uma classe média branca fantasiada e uma vez eles adoptados esses valores sociais e culturais, eles deixariam de ser alvo de discriminação. Tal atitude iria então quebrar o "ciclo da pobreza". Foi decidido que essa reforma deveria levar a cabo essa transformação. A classe média negra, formada no final do século XIX, na sequência da abolição da escravatura era vista como um modelo a ser imitado, muito embora se tratasse de uma pequena minoria entre os Afro-americanos. De facto, as soluções apresentadas pelos brancos liberais, como por exemplo a „Acção Afirmativa“ (dos quais os maiores destinatários eram e ainda são as mulheres brancas e não os afro-a americanos) quando beneficiaram alguns negros em tudo, fizeram-no beneficiando a já bem estabelecida pequena classe média negra. Foram os membros conservadores desta classe média que, após colher os seus benefícios, se insurgiram contra a „Acção Afirmativa“. Assim, quer as mulheres brancas quer a classe média afro-americana beneficiaram de um programa que pouco melhorou a vida da maior parte dos afro-americanos, vindo estes últimos a serem culpados de receberem beneficios à custa do homem branco - um refrão habitualmente entoado pelos conservadores mas que também foi ouvido na boca de alguns liberais!
Como Derrick Bell eloquentemente demonstrou, a „Acção Afirmativa“ é uma cobertura para um sistema no qual o racismo continua a ser institucionalizado e os afro-americanos continuam a ser culpados por recusar o melhoramento das suas vidas apesar dos alegados esforço titânicos feitos em seu nome. Alguns dos argumentos culturalistas dos liberais brancos centrados na produção, por parte da „Ação Afirmativa“, de negros que se comportavam como brancos e que se juntariam às fileiras dos " hard-working americans", um código racista que se refere às pessoas brancas e que Obama invocou muitas vezes nos seus discursos. A fantasia doss programas de televisão norte-americana no final de 1970 e 1980 como "Different Strokes" e "Webster" pretendia demonstrar que, se as famílias brancas tivessem a oportunidade de criar crianças negras, essas crianças acabariam por se tornar cidadãos modelos, podendo inclusivé crescer até se tornarem um dia presidentes. Foi sempre um problema de cultura, nunca de raça!
Obama, naturalmente, não só foi criado pela sua mãe branca, cristã e pela sua família (algo que ele - e Joe Biden - nunca se cansaram de nos lembrar durante a campanha eleitoral –para fazer esquecer a contaminação muçulmana do lado do pai), como também é filho de pai africano e não de um afro-americano. Faz~e-lo passar como um exemplo do que acontece quando os afro-americanos são criados da maneira certa é o orgulho e alegria dos liberais brancos enamorados da sua própria ideologia culturalista-cum-racista e inebriados por um virulento nacionalismo. A continuação de Obama das guerras imperiais e das agressões dos EUA é a prova que, se se colocar um afro-americano é educado da „maneira correcta no cargo do presiedente, ele irá exercer as suas funções imperiais tão bem como qualquer presidente branco. Ver Obama ganhar o Prémio Nobel da Paz foi, portanto, um ganho importante para os americanos brancos liberais que se podem vangloriar das suas acções. Porque, afinal de contas, produzir uns poucos afro-americanos na forma de Barack Obama pode silenciar quem quer que ainda tenha coragem de criticar coragosos de este sistema vincadamente racista apelidado de "democracia americana", que continua a vitimar a maioria dos afro-americanos e grande parte do Terceiro Mundo.
Joseph Massad é professor associado de Política àrabe contemporânea e de historia intelectual na Universidade de Columbia. Este artigo foi publicado originalment e no Al-Ahram e é novamente publicado com a autorização do autor.
A Paz de Obama
por Joseph Massad
tradução: equipa Todos Por Gaza
Pelas suas guerras contínuas contra os paquistaneses, afegãos e iraquianos, pelo apoio dado ao derrube da democracia nas Honduras, pela a sua cumplicidade com as ditaduras do mundo árabe e muçulmano (que o seu governo financia, arma e treina em novos métodos de tortura), o seu planeamento para uma possível invasão do Irão e pelo seu apoio entusiástico à colónia racista israelita (e às suas guerras e ocupações coloniais contra os palestinianos), o presidente dos Estados Unidos Barack Obama recebeu o Prémio Nobel da "Paz". Tal facto não constitui surpresa alguma, já que Obama faz parte de uma longa lista de destinatários deste simulacro de prémio, reconhecidos pelas suas actividades similarmente "pacíficas". Esta lista inclui terroristas como Menachem Begin, criminosos de guerra como Henry Kissinger, generais da limpeza étnica-colonial como Yitzhak Rabin, ditadores como Anwar Sadat, políticos corruptos, como Yasser Arafat, e presidentes imperialiastas, como Jimmy Carter. A concessão feita a este homem ambicioso cheio de sede de poder é pois um tipo de reconhecimento normal para o Comité do Nobel.
A mais recente forma de Obama procurar a paz foi forçar a corrupta Autoridade Palestiniana a descartar o relatório Goldstone, relatório esse que detalhava os crimes de guerra cometidos por Israel na guerra assassina contra os civis palestinianos na Faixa de Gaza há dez meses. Na verdade, o primeiro presidente negro americano discursando do púlpito da ONU apenas exortou os palestinianos, os países árabes e os muçulmanos a reconhecerem o direito de Israel a ser um "Estado judeu racista.". É impossivel não pensar na reacção dos americanos se os lideres árabes e palestinianos exigissem a Obama e à comunidade Afro-americana o reconhecimento do direito dos E.U. serem um estado branco.
Este é o mesmo Obama, cuja arrogância é de tal ordem, que, quando pronunciou o seu infame discurso no Cairo vários meses atrás, não mencionou o sofrimento das dezenas de milhares de civis árabes mortos nas seis longas guerras e massacres contra eles levantadas por Israel; nem mostrou qualquer tipo de solidariedade com os milhões de refugiados árabes (incluindo um milhão de egípcios durante a „Guerra de Atrito“ por causa dos atentados bárbaros de Israel). Em vez disso, Obama escolheu dar aos árabes uma lição de história judaica europeia e intimou-os a apreciar o Holocausto cometido por cristãos europeus contra os judeus europeus e não a permanente Nakba cometida pelos colonos judeus europeus contra os árabes, proibindo ainda os palestinianos e os outros árabes de tentar destruir as estruturas racistas do estado de Israel ou de tentar acabar com o seu governação racista. Na verdade, Obama ameaçou os árabes que qualquer tentativa de destruir os alicerces racistas em que o Estado judeu assenta seria vista como algo equivalente a um holocausto. Isto leva a pensar se acabar com a segregação nos EUA ou por fim ao apartheid na África do Sul seria de algum modo equivalente a levar a cabo o extermínio dos brancos! Este também é o mesmo Obama que, com intenção de afastar de si as acusações de ser muçulmano, nos disse disse durante a sua campanha eleitoral, que não só era cristão mas também rezava a Jesus todas as noites e que o sangue de Jesus Cristo o redimirá.
Mas de maneira geral, os americanos dizem que a eleição de Obama, mesmo que esta não garanta qualquer mudança na política externa e imperialista dos EUA, foi a melhor coisa que aconteceu para a maioria dos americanos, ou pelo menos para os americanos brancos liberais e todos os americanos de origem africana. Esta conclusão é um grande engano. Na minha opinião. Obama é a pior coisa que aconteceu nos últimos anos aos americanos de origem africana, os quais continuam a enfrentar discriminação pessoal diariamente e a todos os níveis: institucionais, estruturais, económicos, culturais, sociais. O racismo que molda a política interna dos EUA e as causas da pobreza dos americanos de origem africana tem fortes ligacões com o racismo que condiciona as políticas imperiais dos EUA que empobrecem egípcios, palestinianos, hondurenhos, iraquianos e afegãos.
A eleição de Obama foi certamente a melhor coisa para os americanos brancos liberais. A sua consciência pode agora ser apaziguada fingindo que eles são racistas nem a América o é, uma vez que se elegeu um presidente negro. O facto de que os americanos de origem africana serem hoje menos escolarizados e mais pobres do que eram na década de 1960 é indiferente a esta lógica de auto-congratulação. O mesmo se passa com o facto de que há mais homens afro-americanos hoje (em números absolutos e relativos) nas prisões racistas americanas do que havia na África do Sul na altura do apartheid. Quanto às políticas de educação e ao crime racial, estas não são mais do que uma continuação das políticas dos seus antecessores brancos, procurando a corporatização das escolas e das prisões e a liberalização dos sindicatos de professores, no interesse da classe empresarial branca.
Mas Obama é o culminar das ideias brancas liberais entretecidas no início dos anos 70, quando o idioma do racismo foi transformado, como um efeito da cooptação do movimento pelos Direitos Civis, numa linguagem culturalista. Segundo os liberais brancos os negros não eram racialmente inferiores, o"seu" problema foi diagnosticado como sendo de ordem "cultural". O sentimento era que os negros americanos deveriam simplesmente falar e agir como sendo uma classe média branca fantasiada e uma vez eles adoptados esses valores sociais e culturais, eles deixariam de ser alvo de discriminação. Tal atitude iria então quebrar o "ciclo da pobreza". Foi decidido que essa reforma deveria levar a cabo essa transformação. A classe média negra, formada no final do século XIX, na sequência da abolição da escravatura era vista como um modelo a ser imitado, muito embora se tratasse de uma pequena minoria entre os Afro-americanos. De facto, as soluções apresentadas pelos brancos liberais, como por exemplo a „Acção Afirmativa“ (dos quais os maiores destinatários eram e ainda são as mulheres brancas e não os afro-a americanos) quando beneficiaram alguns negros em tudo, fizeram-no beneficiando a já bem estabelecida pequena classe média negra. Foram os membros conservadores desta classe média que, após colher os seus benefícios, se insurgiram contra a „Acção Afirmativa“. Assim, quer as mulheres brancas quer a classe média afro-americana beneficiaram de um programa que pouco melhorou a vida da maior parte dos afro-americanos, vindo estes últimos a serem culpados de receberem beneficios à custa do homem branco - um refrão habitualmente entoado pelos conservadores mas que também foi ouvido na boca de alguns liberais!
Como Derrick Bell eloquentemente demonstrou, a „Acção Afirmativa“ é uma cobertura para um sistema no qual o racismo continua a ser institucionalizado e os afro-americanos continuam a ser culpados por recusar o melhoramento das suas vidas apesar dos alegados esforço titânicos feitos em seu nome. Alguns dos argumentos culturalistas dos liberais brancos centrados na produção, por parte da „Ação Afirmativa“, de negros que se comportavam como brancos e que se juntariam às fileiras dos " hard-working americans", um código racista que se refere às pessoas brancas e que Obama invocou muitas vezes nos seus discursos. A fantasia doss programas de televisão norte-americana no final de 1970 e 1980 como "Different Strokes" e "Webster" pretendia demonstrar que, se as famílias brancas tivessem a oportunidade de criar crianças negras, essas crianças acabariam por se tornar cidadãos modelos, podendo inclusivé crescer até se tornarem um dia presidentes. Foi sempre um problema de cultura, nunca de raça!
Obama, naturalmente, não só foi criado pela sua mãe branca, cristã e pela sua família (algo que ele - e Joe Biden - nunca se cansaram de nos lembrar durante a campanha eleitoral –para fazer esquecer a contaminação muçulmana do lado do pai), como também é filho de pai africano e não de um afro-americano. Faz~e-lo passar como um exemplo do que acontece quando os afro-americanos são criados da maneira certa é o orgulho e alegria dos liberais brancos enamorados da sua própria ideologia culturalista-cum-racista e inebriados por um virulento nacionalismo. A continuação de Obama das guerras imperiais e das agressões dos EUA é a prova que, se se colocar um afro-americano é educado da „maneira correcta no cargo do presiedente, ele irá exercer as suas funções imperiais tão bem como qualquer presidente branco. Ver Obama ganhar o Prémio Nobel da Paz foi, portanto, um ganho importante para os americanos brancos liberais que se podem vangloriar das suas acções. Porque, afinal de contas, produzir uns poucos afro-americanos na forma de Barack Obama pode silenciar quem quer que ainda tenha coragem de criticar coragosos de este sistema vincadamente racista apelidado de "democracia americana", que continua a vitimar a maioria dos afro-americanos e grande parte do Terceiro Mundo.
Joseph Massad é professor associado de Política àrabe contemporânea e de historia intelectual na Universidade de Columbia. Este artigo foi publicado originalment e no Al-Ahram e é novamente publicado com a autorização do autor.
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Thursday, 19 November 2009
Os jovens palestinianos são alvos fáceis
Os jovens palestinianos são alvos fáceis
Stuart Littlewood
“Se há uma coisa em que os israelitas são fortes, é em declarar guerra a mulheres e criança”
Traduzido para Português por Maria Rodrigues, equipa Todos Por Gaza
No espaço de 8 anos, perto de um milhar de
crianças foram massacradas pelas tropas de
ocupação.
Entre o ano 2000 e o início da guerra relâmpago de Gaza do Inverno passado, na Cisjordânia e na faixa de Gaza, foram mortas 952 crianças palestinianas (números de B´Tselem). Pelo menos 350 outras crianças foram assassinadas no decorrer da Operação Chumbo Endurecido, em consequência de ataques quotidianos. O que faz com que os “corajosos” israelitas devam ter eliminado até hoje cerca de 1400 jovens. Quem saberá quantos ficaram mutilados ou feridos?
“O exército mais moral do mundo” também gosta de fazer guerra aos estudantes das universidades palestinianas. Recentemente, escrevi um artigo sobre Mema, uma universitária finalista, especializada em Inglês. Soldados israelitas sistematicamente atacaram o campo de refugiados de Belém, onde vivia a sua família, saqueando casas e prendendo os seus moradores, em total arbitrariedade. Um por um, foram levando os membros da família de Mema. Primeiro, foi a sua prima e melhor amiga, uma rapariga de 14 anos, que foi abatida por um sniker israelita, quando estava sentada à porta de sua casa, durante um recolher. Depois, os israelitas vieram prender o seu irmão mais velho, um artista, tendo-o mantido encarcerado durante 4 anos. Em seguida, voltaram para pegar um seu irmão mais novo, de 18 anos. Não satisfeitos, voltaram ainda para prender o mais novo de todos, de 16 anos. Mema seguiu os seus estudos universitários nestas duras circunstâncias.
A legislação militarista de Israel considera que os Palestinianos são adultos aos 16 anos, em flagrante violação da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, que consagra a idade de 18 anos como idade adulta. Bem entendido, enquanto os jovens israelitas são considerados menores até aos 18 anos, os Palestinianos menores são mandados comparecer nos tribunais militares, mesmo quando se trata de assunto do foro cível. Estes tribunais ignoram as leis e convenções internacionais, não existindo portanto nenhuma protecção jurídica para as pessoas em situação de ocupação militar israelita.
Como a detenção é baseada em informações secretas, às quais nem o detido nem o seu advogado têm acesso, é-lhes impossível a preparação de uma defesa adequada. Além disso, os Serviços de segurança encontram sempre um motivo qualquer para manter os detidos encarcerados em nome do “interesse superior da segurança do Estado de Israel”. Apesar de os detidos terem direito a recurso judicial, eles não têm possibilidade de contestar as provas nem os factos dados como provados, pois todas as informações depositadas no tribunal são arquivadas. Bom, basta de falar da justiça israelita!
Face a essa tensão constante, Mema, longe de abandonar os seus estudos, prosseguiu-os com determinação. “O exército mais moral do mundo” podia ter privado os seus irmãos de instrução, mas ela continuaria a bater-se pela sua própria instrução.
Para chegarem à Universidade de Belém, como a qualquer outra, os estudantes têm de se expor ao fogo dos check-points israelitas. “Às vezes, eles pegam nos nossos cartões de identidade e passam bastante tempo a transcrever todos os seus pormenores, fazendo-nos perder tempo, só para nos atrasar” – diz um estudante. Os estudantes são muitas vezes obrigados a descalçar-se, a retirar o cinto ou a despejar o seu saco. “É como num aeroporto”. “Frequentemente, deixam-nos ficar à espera, mais de uma hora, ao sol ou à chuva…” Os soldados chegam até a esgaçar as roupas dos rapazes e a lançar pragas e insultos de carácter sexual às raparigas.
Algumas contam como foram molestadas sexualmente à ida para a universidade e como todo o seu dia era vivido em ansiedade, pensando na volta. Ora estas humilhações permanentes prejudicam a motivação e a concentração nos estudos.
Há 5 anos, os israelitas retiraram à força 4 estudantes da Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, onde estudavam, para os enviarem, ilegalmente, para a faixa de Gaza. Todos eram finalistas, iam terminar os seus cursos no fim do ano escolar. Houve então um coro de protestos por todo o lado, tendo o conselheiro jurídico do exército israelita recebido numerosos faxes e cartas exigindo que os estudantes fossem autorizados a terminar os seus estudos.
“O exército mais moral do mundo” acabou por admitir que os estudantes deviam ser autorizados a voltar à Universidade de Birzeit, mas com a condição de assinarem um documento garantindo que, após terem terminado os seus estudos, voltariam definitivamente para a faixa de Gaza. Isto permitiu revelar, de forma eficaz, a política israelita de impor uma separação total entre a Cisjordânia e a faixa de Gaza, embora internacionalmente sejam reconhecidas como um território integral. Segundo as disposições do direito internacional, todos os indivíduos têm o direito de escolher livremente o seu lugar de residência dentro de um território. Mas desde quando é que Israel se preocupa com o direito internacional? Este regime racista age de modo a que os estudantes da faixa de Gaza não possam aceder às oito universidades palestinianas da Cisjordânia. Em 1999, estudavam em Birzeit 350 estudantes de Gaza; hoje, praticamente não estudam lá nenhuns.
Não foi portanto com grande surpresa que fomos informados pela Universidade de Belém, há dias, que Berlanty Azzam, uma estudante do 4º ano do Curso de Gestão, acabava de ser detida pelas autoridades militares, que tencionavam expulsá-la para Gaza, por “ter tentado terminar os seus estudos na Universidade de Belém”.
Berlanty, um jovem cristã, é originária de Gaza mas vivia na Cisjordânia desde 2005, após ter recebido do exército israelita uma autorização de deslocação de Gaza para a Cisjordânia. Ela também foi privada do seu diploma universitário, à última da hora. Foi presa no check-point deContainer, entre Belém e Ramalá, quando voltava de tratar da manutenção de contrato em Ramalá.
A jovem de 21 anos deveria ter o seu exame final no Natal. A 4 de Novembro passado, levaram-na num jeep militar, algemada e de olhos vendados, de Belém para Gaza, apesar da promessa do departamento do conselheiro jurídico do exército de que ela não seria expulsa antes de o advogado de Gisha (uma ONG israelita militante pela liberdade de circulação dos palestinianos) ter a possibilidade de interpor recurso num tribunal israelita para a fazer voltar aos seus estudos em Belém.
Logo que atravessaram a fronteira, “o exército mais moral do mundo” soltou Berlanty em plena noite, dizendo-lhe “Está em Gaza”.
“Desde 2005, abstive-me de ir visitar a minha família em Gaza, com receio de vir a ser impedida de voltar para Belem e prosseguir os meus estudos” disse Berlanty à organização Gisha, pelo telemóvel, antes de lho terem confiscado. “Agora, justamente a 2 meses de obter o diploma, sou presa e enviada para Gaza, em plena noite, sem meios de concluir os meus estudos”.
A Universidade de Belem quer mobilizar pessoas do mundo inteiro para protestar. Quem contactar, pensei, senão o embaixador palestiniano em Londres, o professor Manual Hassassien, que foi vice-presidente dessa excelente universidade? “Já contactaram o embaixador palestiniano em Londres para uma explicação deste escândalo?” perguntei-lhes pelo correio.
No dia seguinte, à falta de resposta, enviei mensagem: “Há novidade (…) Ela foi levada para Gaza, algemada e olhos vendados. Por favor, diga-me, o que fez a embaixada?” Passaram-se 24 horas e nada: o silêncio era ensurdecedor! Parece que a embaixada descansa muito e que não tem quadros para gerir as crises.
Mandei então uma mensagem ao embaixador israelita, Ron Prosor, pedindo-lhe para investigar o caso. “À primeira vista, disse-lhe, trata-se de um escândalo absurdo. A jovem estudante estava mesmo a acabar o seu curso. Pergunto-me o que o senhor embaixador e o primeiro ministro Netanyahu diriam se os estudos dos vossos filhos ou netos fossem interrompidos desta maneira.”
No dia seguinte, não tendo tido nenhuma resposta, enviei de novo as mesmas informações sobre Berlanty, a quem tinham algemado as mãos e velado os olhos. Passaram mais 24 horas e nada. Silêncio absoluto! Nem mesmo uma indicação de recepção das mensagens por parte do departamento de imprensa de Israel, que habitualmente responde de forma expedita a qualquer coisa, sempre procurando o lado mediático.
Se se tratasse de uma estudante judia, privada do seu diploma universitário e das melhores oportunidades de vida, as embaixadas israelitas em todo o lado teriam imediatamente tomado o caminho da guerra, proferindo acusações de ódio religioso e de antisemitismo. Mas como se trata do Estado de Israel a estragar a vida da jovem cristã, então não tem importância, está tudo bem!
Artigo publicado em Al-Ahram/Weekly On-line
Publicação semanal do 5 ao 11 de Novembro
Traduzido para Francês por JPP
Fonte: Info Palestine
Stuart Littlewood
“Se há uma coisa em que os israelitas são fortes, é em declarar guerra a mulheres e criança”
Traduzido para Português por Maria Rodrigues, equipa Todos Por Gaza
No espaço de 8 anos, perto de um milhar de
crianças foram massacradas pelas tropas de
ocupação.
Entre o ano 2000 e o início da guerra relâmpago de Gaza do Inverno passado, na Cisjordânia e na faixa de Gaza, foram mortas 952 crianças palestinianas (números de B´Tselem). Pelo menos 350 outras crianças foram assassinadas no decorrer da Operação Chumbo Endurecido, em consequência de ataques quotidianos. O que faz com que os “corajosos” israelitas devam ter eliminado até hoje cerca de 1400 jovens. Quem saberá quantos ficaram mutilados ou feridos?
“O exército mais moral do mundo” também gosta de fazer guerra aos estudantes das universidades palestinianas. Recentemente, escrevi um artigo sobre Mema, uma universitária finalista, especializada em Inglês. Soldados israelitas sistematicamente atacaram o campo de refugiados de Belém, onde vivia a sua família, saqueando casas e prendendo os seus moradores, em total arbitrariedade. Um por um, foram levando os membros da família de Mema. Primeiro, foi a sua prima e melhor amiga, uma rapariga de 14 anos, que foi abatida por um sniker israelita, quando estava sentada à porta de sua casa, durante um recolher. Depois, os israelitas vieram prender o seu irmão mais velho, um artista, tendo-o mantido encarcerado durante 4 anos. Em seguida, voltaram para pegar um seu irmão mais novo, de 18 anos. Não satisfeitos, voltaram ainda para prender o mais novo de todos, de 16 anos. Mema seguiu os seus estudos universitários nestas duras circunstâncias.
A legislação militarista de Israel considera que os Palestinianos são adultos aos 16 anos, em flagrante violação da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, que consagra a idade de 18 anos como idade adulta. Bem entendido, enquanto os jovens israelitas são considerados menores até aos 18 anos, os Palestinianos menores são mandados comparecer nos tribunais militares, mesmo quando se trata de assunto do foro cível. Estes tribunais ignoram as leis e convenções internacionais, não existindo portanto nenhuma protecção jurídica para as pessoas em situação de ocupação militar israelita.
Como a detenção é baseada em informações secretas, às quais nem o detido nem o seu advogado têm acesso, é-lhes impossível a preparação de uma defesa adequada. Além disso, os Serviços de segurança encontram sempre um motivo qualquer para manter os detidos encarcerados em nome do “interesse superior da segurança do Estado de Israel”. Apesar de os detidos terem direito a recurso judicial, eles não têm possibilidade de contestar as provas nem os factos dados como provados, pois todas as informações depositadas no tribunal são arquivadas. Bom, basta de falar da justiça israelita!
Face a essa tensão constante, Mema, longe de abandonar os seus estudos, prosseguiu-os com determinação. “O exército mais moral do mundo” podia ter privado os seus irmãos de instrução, mas ela continuaria a bater-se pela sua própria instrução.
Para chegarem à Universidade de Belém, como a qualquer outra, os estudantes têm de se expor ao fogo dos check-points israelitas. “Às vezes, eles pegam nos nossos cartões de identidade e passam bastante tempo a transcrever todos os seus pormenores, fazendo-nos perder tempo, só para nos atrasar” – diz um estudante. Os estudantes são muitas vezes obrigados a descalçar-se, a retirar o cinto ou a despejar o seu saco. “É como num aeroporto”. “Frequentemente, deixam-nos ficar à espera, mais de uma hora, ao sol ou à chuva…” Os soldados chegam até a esgaçar as roupas dos rapazes e a lançar pragas e insultos de carácter sexual às raparigas.
Algumas contam como foram molestadas sexualmente à ida para a universidade e como todo o seu dia era vivido em ansiedade, pensando na volta. Ora estas humilhações permanentes prejudicam a motivação e a concentração nos estudos.
Há 5 anos, os israelitas retiraram à força 4 estudantes da Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, onde estudavam, para os enviarem, ilegalmente, para a faixa de Gaza. Todos eram finalistas, iam terminar os seus cursos no fim do ano escolar. Houve então um coro de protestos por todo o lado, tendo o conselheiro jurídico do exército israelita recebido numerosos faxes e cartas exigindo que os estudantes fossem autorizados a terminar os seus estudos.
“O exército mais moral do mundo” acabou por admitir que os estudantes deviam ser autorizados a voltar à Universidade de Birzeit, mas com a condição de assinarem um documento garantindo que, após terem terminado os seus estudos, voltariam definitivamente para a faixa de Gaza. Isto permitiu revelar, de forma eficaz, a política israelita de impor uma separação total entre a Cisjordânia e a faixa de Gaza, embora internacionalmente sejam reconhecidas como um território integral. Segundo as disposições do direito internacional, todos os indivíduos têm o direito de escolher livremente o seu lugar de residência dentro de um território. Mas desde quando é que Israel se preocupa com o direito internacional? Este regime racista age de modo a que os estudantes da faixa de Gaza não possam aceder às oito universidades palestinianas da Cisjordânia. Em 1999, estudavam em Birzeit 350 estudantes de Gaza; hoje, praticamente não estudam lá nenhuns.
Não foi portanto com grande surpresa que fomos informados pela Universidade de Belém, há dias, que Berlanty Azzam, uma estudante do 4º ano do Curso de Gestão, acabava de ser detida pelas autoridades militares, que tencionavam expulsá-la para Gaza, por “ter tentado terminar os seus estudos na Universidade de Belém”.
Berlanty, um jovem cristã, é originária de Gaza mas vivia na Cisjordânia desde 2005, após ter recebido do exército israelita uma autorização de deslocação de Gaza para a Cisjordânia. Ela também foi privada do seu diploma universitário, à última da hora. Foi presa no check-point deContainer, entre Belém e Ramalá, quando voltava de tratar da manutenção de contrato em Ramalá.
A jovem de 21 anos deveria ter o seu exame final no Natal. A 4 de Novembro passado, levaram-na num jeep militar, algemada e de olhos vendados, de Belém para Gaza, apesar da promessa do departamento do conselheiro jurídico do exército de que ela não seria expulsa antes de o advogado de Gisha (uma ONG israelita militante pela liberdade de circulação dos palestinianos) ter a possibilidade de interpor recurso num tribunal israelita para a fazer voltar aos seus estudos em Belém.
Logo que atravessaram a fronteira, “o exército mais moral do mundo” soltou Berlanty em plena noite, dizendo-lhe “Está em Gaza”.
“Desde 2005, abstive-me de ir visitar a minha família em Gaza, com receio de vir a ser impedida de voltar para Belem e prosseguir os meus estudos” disse Berlanty à organização Gisha, pelo telemóvel, antes de lho terem confiscado. “Agora, justamente a 2 meses de obter o diploma, sou presa e enviada para Gaza, em plena noite, sem meios de concluir os meus estudos”.
A Universidade de Belem quer mobilizar pessoas do mundo inteiro para protestar. Quem contactar, pensei, senão o embaixador palestiniano em Londres, o professor Manual Hassassien, que foi vice-presidente dessa excelente universidade? “Já contactaram o embaixador palestiniano em Londres para uma explicação deste escândalo?” perguntei-lhes pelo correio.
No dia seguinte, à falta de resposta, enviei mensagem: “Há novidade (…) Ela foi levada para Gaza, algemada e olhos vendados. Por favor, diga-me, o que fez a embaixada?” Passaram-se 24 horas e nada: o silêncio era ensurdecedor! Parece que a embaixada descansa muito e que não tem quadros para gerir as crises.
Mandei então uma mensagem ao embaixador israelita, Ron Prosor, pedindo-lhe para investigar o caso. “À primeira vista, disse-lhe, trata-se de um escândalo absurdo. A jovem estudante estava mesmo a acabar o seu curso. Pergunto-me o que o senhor embaixador e o primeiro ministro Netanyahu diriam se os estudos dos vossos filhos ou netos fossem interrompidos desta maneira.”
No dia seguinte, não tendo tido nenhuma resposta, enviei de novo as mesmas informações sobre Berlanty, a quem tinham algemado as mãos e velado os olhos. Passaram mais 24 horas e nada. Silêncio absoluto! Nem mesmo uma indicação de recepção das mensagens por parte do departamento de imprensa de Israel, que habitualmente responde de forma expedita a qualquer coisa, sempre procurando o lado mediático.
Se se tratasse de uma estudante judia, privada do seu diploma universitário e das melhores oportunidades de vida, as embaixadas israelitas em todo o lado teriam imediatamente tomado o caminho da guerra, proferindo acusações de ódio religioso e de antisemitismo. Mas como se trata do Estado de Israel a estragar a vida da jovem cristã, então não tem importância, está tudo bem!
Artigo publicado em Al-Ahram/Weekly On-line
Publicação semanal do 5 ao 11 de Novembro
Traduzido para Francês por JPP
Fonte: Info Palestine
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