Fonte: Ha’aretz
28 de janeiro de 2010-02-02
Memória do Holocausto é pretexto para propaganda israelita
Por Gideon Levy
traduzido por Carolina Cruz (Todos Por Gaza)
As grandes personalidades de Israel atacaram de madrugada numa larga frente. O Presidente, na Alemanha; o Primeiro-Ministro, com uma enorme comitiva, na Polónia; o Ministro dos Negócios Estrangeiros, na Hungria; o seu secretário, na Eslováquia; o Ministro da Cultura, em França; o Ministro da Informação, nas Nações Unidas; e até o membro do partido Druze Knesset da Likud, Ayoob Kara, em Itália.Todos se deslocaram para fazer discursos rebuscados sobre o Holocausto.
Quarta-feira (27 de Janeiro) foi o Dia Internacional de Memória do Holocausto e desde há muito não se via semelhante campanha de relações públicas por parte de Israel. A altura escolhida para este esforço pouco habitual não é casual. Quando o mundo fala sobre Goldstone, nós falamos sobre o Holocausto, como se pretendessemos atenuar o impacto (do relatório). Quando o mundo fala sobre ocupação, nós falamos sobre o Irão, como se quiséssemos esquecer a questão.
Certamente, isso não vai ajudar. O Dia Internacional de Memória do Holocausto passou, os discursos serão em breve esquecidos e a deprimente realidade diária continuará. A imagem de Israel não sairá ilesa, mesmo depois desta campanha de relações públicas.
Na véspera da sua partida, o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu falou no Yad Vashem. “O mal existe no mundo”, disse. “O mal deve ser cortado pela raiz”. “Estão a tentar negar a verdade”. Palavras arrogantes, proferidas pela mesma pessoa que, apenas um dia antes, proferiu palavras muito diferentes, palavras de verdadeiro mal, um mal que deve ser erradicado, um mal que Israel tenta esconder.
Netanyahu falou de uma nova “política de imigração” que é maléfica em todos os seus aspectos. Num acto de má fé, juntou no mesmo saco trabalhadores imigrantes e refugiados indefesos, advertindo que poem em risco Israel, que baixam os nossos salários, que ameaçam a nossa segurança, que fazem de nós um país de terceiro mundo e que trazem drogas. E defendeu fervorosamente o nosso racista Ministro do Interior, Eli Yishai, que se refere aos imigrantes como disseminadores de doenças como hepatite, tubercolose, SIDA e sabe-se lá mais o quê.
Nenhum discurso sobre o Holocausto irá apagar estas palavras de incitamento e difamação contra os imigrantes. Nenhuma memória irá desfazer a xenofobia que assolou Israel, não apenas através da extrema direita, como na Europa, mas através do próprio Governo.
Temos um Primeiro-Ministro que fala sobre o mal, mas está a construir um muro para impedir refugiados de guerra de baterem à nossa porta. Um Primeiro-Ministro que fala sobre o mal, mas participa no crime do cerco a Gaza que, há quatro anos, deixa um milhão e meio de pessoas em condições miseráveis. Um Primeiro-Ministro em cujo país os colonos massacram e perseguem palestinianos inocentes sob o slogan ‘price tag’, de terríveis conotações históricas, mas contra os quais o Estado nada faz.
Este é o Primeiro-Ministro de um Estado que prende centenas de manifestantes de extrema esquerda que saem à rua contra as injustiças da ocupação e contra a guerra em Gaza, enquanto concede amnistias em massa a indivíduos de extrema direita que se manifestaram contra o desengajamento. No discurso de ontem, a comparação que Netanyahu fez da Alemanha nazi com o Irão fundamentalista não é mais do que propaganda barata. Por falar em “desrespeitar o Holocausto”, o Irão não é a Alemanha, Ahmedinejad não é Hitler e a comparação é tão enganadora quanto seria comparar soldados israelitas com nazis.
O Holocausto não deve ser esquecido e não é preciso compará-lo com nada. Israel tem de colaborar nos esforços para manter a memória viva, mas deve fazê-lo de mãos limpas, livres do seu próprio mal. Assim como não deve alimentar suspeitas de que está a usar cinicamente a memória do Holocausto para apagar e distorcer outras coisas. Lamentavelmente, não é o caso.
Que bonito teria sido se neste dia Israel se tivesse auto-avaliado, olhado para dentro e perguntado, por exemplo, por que razão é que o anti-semitismo recrudesceu precisamente no ano passado, a seguir ao momento em que lançamos bombas de fósforo branco sobre Gaza. Que bonito teria sido se neste Dia Internacional de Memória Netanyahu tivesse anunciado uma nova política de integração de imigrantes em vez da sua explusão, ou (se tivesse aunciado) o fim do cerco a Gaza.
Mil dicursos contra o anti-semitismo não irão apagar as chamas ateadas pela Operação ‘Cast Lead’ (Chumbo Fundido) que ameaçam não apenas Israel mas todo o mundo judeu. Enquanto Gaza estiver cercada e Israel endurecer a institucionalização da xenofobia, os discursos sobre o Holocausto não passarão de discursos vazios. Enquanto o mal andar aqui à solta, nem o mundo nem nós próprios seremos capazes de aceitar as nossas orações pelos outros, mesmo que as mereçam.
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Wednesday, 3 February 2010
Thursday, 28 January 2010
Pensamentos de um Judeu no Dia de Lembrança do Holocausto
Carta aberta de Alan Stoleroff
Pensamentos de um Judeu no Dia de Lembrança do Holocausto
Neste dia de Lembrança do Holocausto de 2010, que evoca o extermínio deliberado de seis milhões de judeus pelo regime nazi da Alemanha, terei muito que ponderar. Mas enquanto judeu consciente, não me é preciso um dia oficial de Lembrança do Holocausto para reflectir sobre o seu significado. O Holocausto está cravado na minha consciência desde criança e tem sido forçosamente objecto de reflexão ao longo da minha vida.
Antes de mais, o Holocausto pertence à Humanidade e não apenas a nós judeus. Não deveremos cobiçar a sua memória. Sobretudo enquanto judeu, parece-me necessário evocar a memória de todos os seres inocentes, muitos mais milhões ainda, que foram escravizados, dizimados e exterminados - judeus, ciganos, polacos, eslavos, homossexuais, pessoas com deficiências e outras - em nome do mito da raça suprema. É preciso reflectir sobre o racismo e a intolerância em geral, que se prolongaram ao longo do século XX e deste século, que motivaram os crimes enormes que, hoje em dia, rotulamos como “genocídios”. Parece impensável, mas à nossa volta continua a oprimir-se e a destruir-se povos por pertencerem a grupos étnicos diferentes em lutas competitivas por territórios, recursos e poder político.
Contudo, neste dia de Lembrança do Holocausto de 2010 os meus pensamentos são focados em vários temas específicos. Em primeiro lugar, no conflito entre os judeus de Israel e os árabes da Palestina. Para muitos judeus, a sobrevivência do Holocausto traduziu-se na procura de refúgio exclusivo num Estado-fortaleza de Israel na esperança de que o que aconteceu não voltasse a acontecer. Entendo essa procura mas não aceito a falsa segurança que se tenha obtido à custa do povo palestiniano. Apesar da crença bíblica na nossa eleição pelo Todo-Poderoso como o seu povo ou de estratégia sionista da separação, face às normas da civilização moderna que emergiu dos escombros da Segunda Guerra Mundial a nossa procura de salvação e de auto-determinação não nos conferiu o direito de desapropriar um outro povo que habitava esse território durante a nossa longa Diáspora, facto que de algum modo foi reconhecido pelas Nações Unidas ao dividir a Palestina, por bem ou por mal, em dois estados para dois povos. Na guerra que sucedeu a essa decisão da comunidade internacional, Israel ganhou a sua independência e mais terra ainda e os palestinianos sofreram um desastre nacional, ficando com apenas 22% da sua Palestina. E desde a guerra de 1967, em que Israel conquistou os territórios que tinham permanecido dos palestinianos, esse povo, o nosso Outro, tem vindo a sofrer uma ocupação cruel – através da qual Israel continua a apropriar-se ilegalmente de mais território e mais recursos palestinianos. Desde 1948 que o povo da Palestina tem sido progressivamente desapossado da sua terra secular e tem sofrido o desmembramento da sua nação. Alguns chamam a essa experiência genocídio. Os palestinianos referem-se não a uma Shoah mas a uma Naqba. Quer concorde ou não com o rótulo, enquanto judeus temos que ponderar o seu significado e a diferença aparente entre duas palavras que implicam, ambas, a destruição de um povo.
Outro dos meus pensamentos dirige-se mais particularmente ao povo palestiniano de Gaza, cercado e preso no que me parece cada vez mais um campo de concentração. Acabámos de assinalar a passagem de um ano sobre o fim do massacre da operação Chumbo Fundido que resultou em 1.400 mortos, 313 dos quais crianças e numa destruição massiva.
Mesmo que se reconheça ao Estado de Israel o direito de se defender, como refere o Relatório Goldstone, o direito internacional nunca poderia justificar nem a desproporcionalidade da Operação Chumbo Fundido nem a manutenção deste cerco desumano. O direito internacional exige que se procure esgotar todas as possibilidades de resolução pacífica da situação antes do recurso à violência – o que Israel não fez, mantendo o cerco. Mas não se tratou de um caso de defesa legítima. Israel procurava um pretexto para restabelecer a sua força dissuasora na região e deliberadamente rompeu as tréguas em vigor na altura. A reacção previsível do Hamas ao ataque israelita do dia 4 de Novembro de 2008 forneceu ao Israel um pretexto para a sua guerra.
Deveremos ver nas bombinhas de Gaza não um pretexto para um castigo colectivo mas um sinal da aflição e mesmo da resistência de um povo, por mais mal dirigido que possa ser.
Actualmente, em vez de investigar as alegações contra as suas forças armadas, como pedido pelo Relatório Goldstone, Israel está a investir muito esforço na propaganda para contrariar esse Relatório preparado para as Nações Unidas pelo judeu sionista Richard Goldstone. Israel tem estado assim na vanguarda das tentativas para mudar as leis que regulam a guerra. Mobilizando argumentos sobre as “assimetrias” na guerra contra o terrorismo, Israel está a enfraquecer o direito internacional, que tanto deve às lições do Holocausto, para facilitar a sua guerra contra o povo palestiniano. A única assimetria pertinente em causa é a do poder militar de Israel em relação a uma população sem meios eficazes para a sua defesa.
É intolerável que nada de efectivo tem sido feito para acabar com o cerco a Gaza ou aliviá-lo. Israel nem sequer deixa entrar cimento no território. Em contradição com os valores humanistas que se tornaram oficiais depois do Holocausto, o mundo ocidental só permite que esta situação (que a Amnistia Internacional apelidou de “castigo colectivo”) se tenha produzido e mantido devido à demonização racista dos árabes e dos muçulmanos em geral e dos palestinianos em particular. Apontando o dedo aos fundamentalistas islâmicos do Hamas, a propaganda israelita tem diabolizado o povo palestiniano de Gaza devido à sua resistência a Israel.
Ironicamente, a ocupação e o anti-semitismo reforçam-se mutuamente.
Para muitos judeus, cuja consciência social nasceu da nossa história de opressão e do Holocausto, a política de Israel constitui uma mácula indelével na nossa tradição supostamente humanista. Mas a propaganda israelita frequentemente intitula judeus que pensam como eu “self-hating Jews”, ou seja, judeus que se negam a si próprios. Esta táctica apagou a crítica da ocupação durante muito tempo, mas está a perder eficácia depois do massacre de Gaza. Actualmente, o alvo dessa propaganda é o próprio juiz Goldstone, tratando-o de “anti-semita” numa campanha cujo objectivo é descredibilizar o relatório da sua comissão sobre os crimes de guerra em Gaza.
Porém, há cada vez mais judeus que, como eu, consideram a política dos governos de Israel inconsistente com a sua identidade de judeu num mundo que conheceu o Holocausto. Propomos a alternativa de uma paz justa com base no direito internacional e o fim do cerco ilegal de Gaza e o fim da ocupação dos territórios palestinianos.
Eis o que muito me dá que pensar neste Dia de Lembrança do Holocausto, mas nisso pensarei enquanto judeu consciente e, neste fim-de-semana, juntar-me-ei nestes pensamentos a judeus de diferentes países europeus num congresso em Paris dos Judeus Europeus para uma Paz Justa.
Lisboa, 27 de Janeiro de 2010,
Alan Stoleroff
Professor universitário
Pensamentos de um Judeu no Dia de Lembrança do Holocausto
Neste dia de Lembrança do Holocausto de 2010, que evoca o extermínio deliberado de seis milhões de judeus pelo regime nazi da Alemanha, terei muito que ponderar. Mas enquanto judeu consciente, não me é preciso um dia oficial de Lembrança do Holocausto para reflectir sobre o seu significado. O Holocausto está cravado na minha consciência desde criança e tem sido forçosamente objecto de reflexão ao longo da minha vida.
Antes de mais, o Holocausto pertence à Humanidade e não apenas a nós judeus. Não deveremos cobiçar a sua memória. Sobretudo enquanto judeu, parece-me necessário evocar a memória de todos os seres inocentes, muitos mais milhões ainda, que foram escravizados, dizimados e exterminados - judeus, ciganos, polacos, eslavos, homossexuais, pessoas com deficiências e outras - em nome do mito da raça suprema. É preciso reflectir sobre o racismo e a intolerância em geral, que se prolongaram ao longo do século XX e deste século, que motivaram os crimes enormes que, hoje em dia, rotulamos como “genocídios”. Parece impensável, mas à nossa volta continua a oprimir-se e a destruir-se povos por pertencerem a grupos étnicos diferentes em lutas competitivas por territórios, recursos e poder político.
Contudo, neste dia de Lembrança do Holocausto de 2010 os meus pensamentos são focados em vários temas específicos. Em primeiro lugar, no conflito entre os judeus de Israel e os árabes da Palestina. Para muitos judeus, a sobrevivência do Holocausto traduziu-se na procura de refúgio exclusivo num Estado-fortaleza de Israel na esperança de que o que aconteceu não voltasse a acontecer. Entendo essa procura mas não aceito a falsa segurança que se tenha obtido à custa do povo palestiniano. Apesar da crença bíblica na nossa eleição pelo Todo-Poderoso como o seu povo ou de estratégia sionista da separação, face às normas da civilização moderna que emergiu dos escombros da Segunda Guerra Mundial a nossa procura de salvação e de auto-determinação não nos conferiu o direito de desapropriar um outro povo que habitava esse território durante a nossa longa Diáspora, facto que de algum modo foi reconhecido pelas Nações Unidas ao dividir a Palestina, por bem ou por mal, em dois estados para dois povos. Na guerra que sucedeu a essa decisão da comunidade internacional, Israel ganhou a sua independência e mais terra ainda e os palestinianos sofreram um desastre nacional, ficando com apenas 22% da sua Palestina. E desde a guerra de 1967, em que Israel conquistou os territórios que tinham permanecido dos palestinianos, esse povo, o nosso Outro, tem vindo a sofrer uma ocupação cruel – através da qual Israel continua a apropriar-se ilegalmente de mais território e mais recursos palestinianos. Desde 1948 que o povo da Palestina tem sido progressivamente desapossado da sua terra secular e tem sofrido o desmembramento da sua nação. Alguns chamam a essa experiência genocídio. Os palestinianos referem-se não a uma Shoah mas a uma Naqba. Quer concorde ou não com o rótulo, enquanto judeus temos que ponderar o seu significado e a diferença aparente entre duas palavras que implicam, ambas, a destruição de um povo.
Outro dos meus pensamentos dirige-se mais particularmente ao povo palestiniano de Gaza, cercado e preso no que me parece cada vez mais um campo de concentração. Acabámos de assinalar a passagem de um ano sobre o fim do massacre da operação Chumbo Fundido que resultou em 1.400 mortos, 313 dos quais crianças e numa destruição massiva.
Mesmo que se reconheça ao Estado de Israel o direito de se defender, como refere o Relatório Goldstone, o direito internacional nunca poderia justificar nem a desproporcionalidade da Operação Chumbo Fundido nem a manutenção deste cerco desumano. O direito internacional exige que se procure esgotar todas as possibilidades de resolução pacífica da situação antes do recurso à violência – o que Israel não fez, mantendo o cerco. Mas não se tratou de um caso de defesa legítima. Israel procurava um pretexto para restabelecer a sua força dissuasora na região e deliberadamente rompeu as tréguas em vigor na altura. A reacção previsível do Hamas ao ataque israelita do dia 4 de Novembro de 2008 forneceu ao Israel um pretexto para a sua guerra.
Deveremos ver nas bombinhas de Gaza não um pretexto para um castigo colectivo mas um sinal da aflição e mesmo da resistência de um povo, por mais mal dirigido que possa ser.
Actualmente, em vez de investigar as alegações contra as suas forças armadas, como pedido pelo Relatório Goldstone, Israel está a investir muito esforço na propaganda para contrariar esse Relatório preparado para as Nações Unidas pelo judeu sionista Richard Goldstone. Israel tem estado assim na vanguarda das tentativas para mudar as leis que regulam a guerra. Mobilizando argumentos sobre as “assimetrias” na guerra contra o terrorismo, Israel está a enfraquecer o direito internacional, que tanto deve às lições do Holocausto, para facilitar a sua guerra contra o povo palestiniano. A única assimetria pertinente em causa é a do poder militar de Israel em relação a uma população sem meios eficazes para a sua defesa.
É intolerável que nada de efectivo tem sido feito para acabar com o cerco a Gaza ou aliviá-lo. Israel nem sequer deixa entrar cimento no território. Em contradição com os valores humanistas que se tornaram oficiais depois do Holocausto, o mundo ocidental só permite que esta situação (que a Amnistia Internacional apelidou de “castigo colectivo”) se tenha produzido e mantido devido à demonização racista dos árabes e dos muçulmanos em geral e dos palestinianos em particular. Apontando o dedo aos fundamentalistas islâmicos do Hamas, a propaganda israelita tem diabolizado o povo palestiniano de Gaza devido à sua resistência a Israel.
Ironicamente, a ocupação e o anti-semitismo reforçam-se mutuamente.
Para muitos judeus, cuja consciência social nasceu da nossa história de opressão e do Holocausto, a política de Israel constitui uma mácula indelével na nossa tradição supostamente humanista. Mas a propaganda israelita frequentemente intitula judeus que pensam como eu “self-hating Jews”, ou seja, judeus que se negam a si próprios. Esta táctica apagou a crítica da ocupação durante muito tempo, mas está a perder eficácia depois do massacre de Gaza. Actualmente, o alvo dessa propaganda é o próprio juiz Goldstone, tratando-o de “anti-semita” numa campanha cujo objectivo é descredibilizar o relatório da sua comissão sobre os crimes de guerra em Gaza.
Porém, há cada vez mais judeus que, como eu, consideram a política dos governos de Israel inconsistente com a sua identidade de judeu num mundo que conheceu o Holocausto. Propomos a alternativa de uma paz justa com base no direito internacional e o fim do cerco ilegal de Gaza e o fim da ocupação dos territórios palestinianos.
Eis o que muito me dá que pensar neste Dia de Lembrança do Holocausto, mas nisso pensarei enquanto judeu consciente e, neste fim-de-semana, juntar-me-ei nestes pensamentos a judeus de diferentes países europeus num congresso em Paris dos Judeus Europeus para uma Paz Justa.
Lisboa, 27 de Janeiro de 2010,
Alan Stoleroff
Professor universitário
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